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Tuesday, December 12, 2017
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Sistema Educacional Suíço

Sistema Educacional Suíço
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Sistema Educacional Suíço

A Suíça se caracteriza por ser um país com alto padrão de vida bem como de mão-de-obra qualificada e bem remunerada. Isto se deve a um sistema educacional extremamente bem estruturado e, acima de tudo, gratuito.

Sistema Educacional Suíço
O estudo na Suíça é gratuito. A educação é dada numa cooperação entre pais e mestres. O estudo é obrigatório por 11 anos, ou seja, a contar do ingresso da criança na vida escolar aos 5 anos.

Sistema Educacional Suíço – Uma informação relevante ao estrangeiro com filhos na escola é que a instituição conta com a colaboração dos pais para o sucesso das crianças. Os pais devem comparecer às reuniões marcadas, acompanhar os deveres de casa e seguir o regulamento de ensino.

Consideradas as diferenças cantonais, o sistema é razoavelmente homogêneo. As diferenças culturais existem principalmente devido à localização geográfica bem como à influência do espaço linguístico que influencia a região.

Segundo a página do edk, um link em 5 idiomas da Conferência Nacional Suíça dos Delegados de Ensino, isto se dá pelo fato do sistema se basear no federalismo, cabendo a cada Cantão (estado) a autonomia, entre outras, de administração e realização da educação. A prefeitura trabalha em conjunto com a autoridade estadual (cantonal), mas não existe um sistema federal harmônico, que permita que os alunos recebam exatamente a mesma formação nos quatro cantos do país.

O sistema educacional suíço é obrigatório e dura 11 anos, sendo que as crianças normalmente não podem repetir mais que um ano. Em tese, aos 5 anos a criança ingressa o jardim de infância e aos 7 anos, o 1° ano da escola, vindo a concluir, aos 16 anos de vida, o ensino obrigatório.

Para garantir um bom desempenho escolar, foi delegado certo poder de decisão e fiscalização às autoridades educacionais. Desta forma, na Suíça, cabe ao docente e à direção da escola discutir soluções viáveis junto com os pais e responsáveis, para que todos os alunos tenham as mesmas chances e recebam o mesmo tratamento. Logo, quando um aluno apresenta déficit de aprendizado, o mesmo recebe tratamento direcionado, tendo ele um curriculum diminuído e adaptado às suas possibilidades de aprendizado ou mesmo, podendo ser transferido para uma instituição voltada para alunos com necessidades especiais, sejam estas necessidades disciplinares, acadêmicas ou físicas e mentais.

Via de regra e, baseando-se no sistema adotado praticamente em toda Suíça alemã, pode-se descrever o sistema educacional do país da seguinte forma:
O estado não oferece nenhuma instituição nem fiscalização de frequência às aulas antes da criança atingir o 7 ano de vida. A pré-escola passou a ser obrigatória há poucos anos.

Se uma família necessita de uma vaga em uma creche ou mesmo de outro tipo de acolhimento, a mesma deve impetrar busca individual e própria para obtenção de uma vaga. Algumas creches são semi-estatais e outras totalmente privadas. A lista de espera é longa, a escolha é feita com base na necessidade da família (famílias de baixa renda têm preferência) e o valor das mensalidades respeita uma tabela conforme os recursos da família, mas, para muitas delas, mesmo havendo subsídio estatal, o pagamento da creche onera em muito o orçamento familiar.

Sistema Educacional Suíço Foto Markus Spiske
O estado não fiscaliza, até a criança atingir o 7 ano de vida, se ela frequenta as aulas ou não. Isso é quase que uma obrigação dos pais.
O ingresso escolar ocorre para crianças com idade entre 4 e 5 anos, mas no Cantão italiano do Ticino, as crianças podem se matricular já com 3 anos na pré-escola.

Não existe nenhuma prova de admissão, há vagas para todos. As crianças ingressam o 1°ano do ensino primário no ano em que completam 6 anos (data limite: 30 de abril). A matrícula deve ser realizada pelos pais ou responsáveis. Todas as crianças têm acesso à escola, mesmo aquelas com necessidades especiais, sejam elas cadeirantes ou tenham alguma enfermidade mental que as impeça de acompanhar a classe regular. As instituições voltadas para estas crianças funcionam de forma igual. Está, entretanto, sendo estudada a mudança deste sistema e, caso a mesma seja totalmente aprovada – ela leva o nome de HarmoS – a escola primária vai ser homogênea e obrigatória em todos os cantões para crianças com 4 anos completos (data limite: 31 de julho). Em casos excepcionais, os pais vão poder solicitar um ingresso mais tardio. Este sistema já está em vigor em quase toda a Suíça, mas ainda não completamente.

É a comuna quem determina em qual escola a criança vai começar sua carreira escolar. Existe um mapeamento por zona que delimita onde as crianças deverão ser matriculadas e o mesmo respeita o endereço da família no ato da matrícula. Caso um pai ou responsável esteja em desacordo, tem que fazer solicitação por escrito à Delegacia de Ensino no período posterior ao da matrícula. O edital de convocação para as matrículas é publicado no Diário Oficial entre novembro e fevereiro.

Esta determinação ocorre na Suíça por duas razões: aqui existe uma matrícula individual comunal para devido registro de todos os habitantes de cada município. Logo, a Secretaria de Controle de Cidadãos e a Secretaria Municipal de Educação podem facilmente dividir e formar as classes das escolas. A ideia é de a criança morar o mais próximo possível da escola que virá a frequentar, a fim de poder ter amigos e contatos sociais de forma fácil. A outra razão é que, em se tratando de um país seguro, as crianças devem aprender a ir à escola sozinhas, andando a pé e encontrando-se com seus coleguinhas durante o percurso. Esta meta é muito salientada pelas autoridades, pois somente assim as crianças conseguem desenvolver competências sociais. Assim sendo, o controle de cidadãos, ao determinar em qual escola a criança deve ser matriculada, também delineia o acesso dela à instituição.

É nesta hora que se percebe a estrutura social, por conseguinte, do sistema de ensino.
O conceito de educação na Suíça é aplicável em todos os níveis. O aluno deve ser incentivado a ser independente, responsável e atento. Os pais devem permanecer como responsáveis civis, cuidar para que as crianças sejam asseadas e assíduas, respeitem as regras escolares e estejam em dia com suas obrigações. Qualquer negligência paternal é passível de multa (atrasos, desrespeito às regras, faltas injustificadas).
Em alguns Cantões, a Escola Primária (fundamental/primeiro ciclo) dura 6 anos, sendo que o professor muda a cada dois anos. Em outros, esta fase tem 5 anos, mas no final, são 11 anos de frequência obrigatória e garantida (vaga para todos). Depois de concluída a escola primária, a criança passa para o Nível Secundário I, que compreende os 3 (ou 4) próximos anos de escola.
Não existe necessariamente uma mudança de estabelecimento. Muitas instituições oferecem os 9 anos nas mesmas dependências.

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Em muitos cantões existe um sistema de escola chamado ‘horário em bloco’, ou seja, todas as crianças têm aula no mesmo período. Este sistema vem sendo instituído paulatinamente há mais de 10 anos. Ocorre que, antigamente, as crianças tinham aulas em horários díspares e famílias numerosas tinham dificuldade de organização e coordenação da vida familiar com as atividades extra curriculares (esporte, escola de música, outros hobbies). Com o horário em bloco, as aulas normalmente, vão das 8 h às 12 h (com pequenas variações de região para região) e depois do almoço, dependendo da idade, a criança retorna para uma ou mais horas. Todas as escolas suíças não têm aulas às quartas-feiras pela tarde. Este é o dia ‘livre’ das crianças em todo o país.

As crianças não têm refeitório na escola. Para que uma criança permaneça aos seus cuidados durante o dia inteiro, os pais e responsáveis têm que inscrevê-la numa atividade chamada ‘para escolar’ http://www.bildung-betreuung.ch. O estado não subsidia totalmente o acolhimento das crianças num sistema de semi-internato, mas apoia e fiscaliza a realização desta atividade.
O valor das mensalidades depende do ordenado mensal e da quantidade de dias em que a criança frequenta a ‘para escola’. Nem sempre é possível que a atividade ‘para escolar’ ocorra nas dependências da própria escola. Às vezes, há outras instituições nas redondezas, p.ex., outras escolas, que juntas implementam as atividades, compreendendo uma refeição quente e acolhimento por parte das monitoras durante o período da tarde. Em alguns casos, as crianças permanecem sob os cuidados das pedagogas e realizam suas tarefas e deveres de casa, mas sem ajuda, somente com supervisão. A programação pode variar um pouco de comuna para comuna, mas em geral, trata-se da possibilidade de acolhimento fora do horário de escola, incluindo uma refeição, e com duração até as 18 h. Comunas menores organizam a atividade paraescolar somente em alguns dias por semana.

Sistema Educacional Suíço
Estrutura social, segurança e educação de ponta. Assim podemos resumir a Suíça.
Foto: Gabriel Garcia Marengo

Depois de concluído o ensino obrigatório, os jovens passam para a fase chamada Nível Secundário II (Ensino Médio ou 2° Ciclo). Este nível se subdivide em dois segmentos: o jovem pode seguir o ensino geral ou o ensino profissionalizante. É nesta ocasião que o jovem se depara pela primeira vez com o processo seletivo. O ensino geral pode ser adquirido nas escolas chamadas de Ginásio (antigos colegiais ou liceus) ou em Escolas Técnicas Profissionalizantes, que são como uma espécie de Ginásio com formação profissional. O acesso à universidade fica reservado àqueles que concluíram o ginásio com sucesso através de uma prova geral final chamada ‘Matura’ (espécie de Enem). (http://www.educa.ch)

O aprendizado profissional básico funciona na Suíça através de um singular sistema dual, onde a iniciativa privada (empresas) e o estado trabalham em comum acordo para a formação técnico-prática de mão-de-obra especializada. Os jovens precisam encontrar uma vaga numa empresa e ao obtê-la, matriculam-se no curso relativo àquela profissão. O estagiário-aprendiz recebe um salário proforma, uma espécie de soldo, em parte subsidiado pelo estado, e tem um mestre na empresa que o orienta e treina devendo frequentar aulas teóricas numa instituição gratuita. Após um período de 3-4 anos, o jovem recebe um diploma de habilitação de âmbito nacional e pode procurar um emprego naquela área. Este sistema é um grande sucesso no processo interno de formação de mão-de-obra técnica no país e muito cobiçado por outros países, principalmente por ser eficiente e democrático. Vale lembrar que há necessidade de diploma para o exercício de praticamente toda profissão na Suíça. O domínio da língua local bem como o domicílio no país são condições básicas para a matrícula em qualquer etapa do Nível Secundário II.

Alguns alunos não conseguem uma vaga numa empresa. Ou eles possuem notas insuficientes para seguirem a formação geral. Neste caso, existe a possibilidade destes jovens frequentarem um ano a mais de escola, o assim chamado 10° ano. O aluno aproveita este período para voltar a procurar uma vaga numa empresa, rever a matéria estudada e, às vezes, melhorar suas notas. As possibilidades são várias e há necessidade de busca de informações junto às autoridades educacionais regionais. O aluno pode frequentar a escola normalmente, fazer um estágio numa firma, participar de um programa de integração profissional, etc. Todas estas possibilidades são facultativas, em parte gratuitas e sem processo seletivo. A política, entretanto, endossa os esforços cantonais de orientação profissional do jovem. Acredita-se que ca. de 65% dos jovens escolham a Formação Profissionalizante Básica e 35% optem pela formação generalizada.

Entre 18 e 19 anos, os jovens concluem o Nível Secundário II. Todos os formandos recebem um certificado de conclusão. O estado impetra esforços para que o número de diplomandos cresça de ano para ano, vindo a atingir a meta de 95% em 2015.
Mesmo aqueles que optaram pela formação profissionalizante, podem, mais tarde, prestar o exame final de Maturidade para ingressar o ensino superior. Eles só precisam frequentar dois anos adicionais de escola e compensar matérias que ainda não foram aprofundadas.

 

Após a conclusão do Nível Secundário II, os aprendizes podem começar a trabalhar em suas profissões e os ginasiais (Ensino Médio, Liceu) podem se candidatar a uma vaga numa Universidade, numa Escola Técnica Superior (também conhecidas como Escolas Politécnicas Superiores), ou numa Faculdade (Técnica ou de Pedagogia), cujas abreviaturas em alemão são UH, FH e PH. Além disto, os técnicos podem aprimorar seus conhecimentos e prestar um exame para um Certificado de Habilitação Profissional Federal (BP) ou para um Certificado de Habilitação Técnico-Superior Federal (HFP).
Para mais informações, recomendamos uma visita à página do Ministério Federal de Formação Profissional: www.sbfi.admin.ch

Lista de Universidades e Esclarecimentos: www.swissuniversities.ch

Por: Deborah Biermann
www.brasilianisch.ch
Tradutora e Intérprete Intercultural de Português e Alemão com Certificado Federal de Habilitação Profissional.
Reconhecida pela Associação Suíça de Tradutores, Terminólogos e Intérpretes (ASTTI) para Alemão e Português.
Intérprete Comercial no Departamento de Justiça do cantão de Berna.
Bacharel em Letras pela Faculdade Ibero-Americana de São Paulo.

 

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