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Saturday, August 8, 2020
Cultura

Coletivo Di jejê. A escola antirracista criada por uma mulher negra no Brasil

Coletivo Di jejê
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Coletivo Di jejê. Conheça a escola antirracista criada por uma mulher negra no Brasil

Conheça a história da pedagoga paulistana radicada em Florianópolis e saiba como ajudar o negócio social gerido por Jaque Conceição durante a pandemia.

Hoje em dia, quando lemos jornais ou vemos televisão, sempre encontramos algum escandalo envolvendo algozes brancos e vitimas negras. Gato preto dá azar. Morreu alguém? O preto significa tristeza e luto.

O céu escureceu? Sinal de tempestade. É sujo? Está preto. O saci-pererê que assustava as crianças também era negro.

Sempre a cor negra ou escura vai estar ligada a coisas ruins ou que nos assustam. E o Brasil sempre foi e ainda é, um país racista.

Jaque Conceição_ Coletivo Di jejê

Claro que não é o único do planeta. Mas o que fazemos para esclarecer a população sobre essas injustiças?

Santa Catarina tem o maior número de casos de injúria racial do país, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado no fim do ano passado.

Por causa do dado alarmante e sabendo do esforço que a população catarinense faz para mudar esse cenário, a pedagoga Jaque Conceição criou a primeira plataforma do Brasil com foco em Educação feminista e antirracista do Brasil, o Coletivo Di jejê.

“A Educação foi um lugar em que eu busquei para me desenvolver de todos esses marcadores”

Jaque foi vítima de racismo em muitas esferas profissionais Sobre as situações de racismo que sofreu, Jaque lembra de uma das muitas situações que passou no meio acadêmico:

“Me lembro de um dia que eu entrei no elevador, na PUC, e estava com um copo de café na mão, e uma professora branca colocou uma bolinha de papel dentro do meu copo e falou: “Minha Querida, joga fora para mim, por favor.”

Para aquela professora, a única forma de uma mulher negra estar no elevador de uma das principais universidades brasileiras, seria trabalhando na limpeza, jamais como uma aluna, jamais como uma professora”, relembra.

Racismo estrutural motivou criação do Di Jejê

Jaque Conceição. Fundadora do Coletivo Di Jejê

Situações como a da PUC, incentivaram Jaque a fundar o Coletivo Di jejê, em 2014. A pedagoga, formada pela Universidade São Camilo e doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina, veio de família humilde e as vulnerabilidades sociais que enfrentou a fizeram ter certeza sobre o caminho a seguir:

“Eu vim de uma família muito pobre, de um bairro muito pobre, na periferia de São Paulo.

Todos os meus amigos ou foram mortos pela polícia ou pelo tráfico.

Imagina que minha avó não sabe nem ler e nem escrever, fui a primeira pessoa da minha família a me formar no ensino superior.

“A Educação foi um lugar em que eu busquei para me desenvolver de todos esses marcadores”, relembra.

“Quando eu criei o Di jejê, aliei o desejo e a necessidade de uma forma de combate ao racismo através da formação da cultura e da Educação. Esse é o meu lugar, eu sou professora. A gente só vai conseguir enfrentar o racismo através de uma Educação antirracista.”

Ciente de que muitos professores poderiam estar aproveitando a pandemia para se aprofundarem no desenvolvimento antirracista, durante o mês de junho, o Coletivo Di jejê irá apoiar professores da rede pública básica de todo o Brasil, mas para isso, precisarão de ajuda do público.

Um das ofertas chama-se: pacote Kukala, o Di jejê doará outro pacote para um professor da rede básica.

A Kukala é um pacote com oito cursos de formação voltada para professores sobre a lei 10.639, que estabelece a obrigatoriedade de “história e cultura afro-brasileiro”, com conteúdo para formação técnica da educação infantil ao ensino médio.

Pensadores contemporâneos 

Através dos 85 cursos ofertados pelo Coletivo Di jejê, Jaque empodera outros negros e pardos em busca de suas raízes e desenvolve potencialidades através de cursos de étnico raciais e de gênero.

Com cursos focados em pensadores contemporâneos como Angela Davis e Conceição Evaristo, o Di jejê tem construído ao longo dos seis últimos anos um local para desenvolvimento psicopedagógico.

Os cursos do Di jejê são divididos em quatro plataformas:

Nkanda: Cursos e conteúdo sobre feminismo negro e o pensamento racial negro.

Kukala: Nosso curso de formação voltada para professores sobre a lei 10.639, com conteúdo para formação técnica da educação infantil ao ensino médio.

Intié: Plataforma voltada para educação indígena, voltada para professores, com conteúdos de formação técnica, com conteúdos da Educação Infantil ao ensino médio.

Ifá: Plataforma voltada para empresas, voltada para a diversidade étnico-racial para o ambiente empresarial. São quatro cursos compostos por vídeo-aulas de 10 minutos. Cada curso contém quatro vídeo-aulas, disponibilizados para colaboradores das empresas .

Espaços de fortalecimento racial

“Uma das coisas que eu tenho refletido muito é a importância que nós tenhamos espaços como a Casa Preta funcionando para professores, estudantes a discutirem e a pensarem sobre essas questões.

Precisamos ter uma faculdade na formação etnicosocial para profissionais que queiram aprofundar sua prática através disso: O Direito, a Engenharia, a Matemática, Química, Medicina, História. Que diversas áreas de conhecimento tenham espaço, é para isso que o Di jejê está caminhando.“

Futuro terá faculdade e MBA

Segundo Jaque, o futuro breve do Di jejê inclui pós-graduações com grade de 600 horas Passando por credenciamento junto ao Ministério da Educação, daqui a alguns anos o Di jejê oferecerá graduações presenciais e à distância.

Serviço:

Para saber mais sobre o Coletivo Di jejê voce pode acessar: coletivodijeje.com.br.

Fonte: www.agenciais.com.br

Parceria: Empodera Samba

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